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22/01/2015

Movimento de dezembro é recorde e eleva movimento anual para 111,1 milhões t

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Kostya Kisleyko, SXC
O Porto de Santos, superando as estimativas divulgadas, em dezembro último, pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), movimentou no ano passado 111,1 milhões de toneladas de cargas. Esse volume é o segundo maior da história do porto, ficando abaixo somente 2,6% do apurado em 2013 (114,0 milhões t), considerado um ano atípico na curva de movimentação do complexo portuário. Em dezembro, a Codesp estimou que o movimento de cargas atingiria 110,5 milhões t em 2014.

Esse resultado foi determinado pelo recorde obtido na movimentação do mês de dezembro (9,0 milhões t), que ficou 6,2% acima do mesmo período do ano anterior (8,4 milhões t). As exportações tiveram um crescimento, no mês, de 5,9%%, totalizando 6,0 milhões t, enquanto as importações aumentaram 6,9%, somando 2,9 milhões t.

O presidente da Codesp, Angelino Caputo, explica que a movimentação de cargas em 2014 foi afetada por uma combinação de fatores decorrentes de aspectos climáticos, preços das commodities agrícolas e conjuntura econômica internacional desfavorável. Para Caputo, 2013 foi um ano totalmente atípico na curva de crescimento da movimentação do Porto de Santos. Apesar do movimento neste ano ter sido menor que em 2013, ainda assim, permaneceu dentro da curva estabelecida pela consultoria Louis Berger, dentro do Plano de Expansão do Porto de Santos, explica o presidente.

Os produtos que contribuíram para o bom desempenho mensal foram, na exportação, o açúcar, com 1,4 milhão t (+17,2%), o café em grãos, com 144,0 mil t (+49,2%), o complexo soja, com 247,2 mil t (+30,3%), e, na importação, o adubo, com 310,6 mil t (+8,7%), carvão, com 130,6 mil t (+47,7%), gás liquefeito de petróleo, com 79,7 mil t (+41,5%), e minério de ferro, com 75,7 (+129,3%).

A carga conteinerizada manteve a performance apresentada durante todo o ano, atingindo um crescimento de 9,5% no mês de dezembro (315,3 mil teu) e 6,8% no acumulado do ano (3,6 milhões teu).

Acumulado

No acumulado do ano, as exportações chegaram a 76,5 milhões t, decrescendo 33,7% em comparação com o apurado no ano passado. Já as importações em 2014 (334,5 milhões t) se mantiveram no mesmo patamar de 2013 (34,5 milhões t). Os principais destaques foram o farelo de soja, com 3,8 milhões t (+41,4%), e o café em grãos, com 1,5 milhão t (+37,6%). Os produtos que mais contribuíram para a queda na movimentação foram o açúcar (-10,5%), o álcool (-42,7%), a soja em grãos (-4,8%), o milho (-19,3%) e minério de ferro (-56,4%).

A crise internacional que afetou os principais países da Europa, Ásia e Américas acabou se refletindo com força nos mercados internacionais de commodities agrícolas e minerais. No caso das commodities agrícolas, somou-se a um cenário de demanda retraída a confirmação de uma supersafra norte-americana de soja e milho em 2014, o que elevou a oferta global destes grãos a um patamar recorde. Como consequência, houve a intensificação da trajetória declinante dos preços das commodities nas principais bolsas internacionais.

O preço do milho foi o que mais sentiu o efeito do aumento da oferta global, com queda de, aproximadamente, 37% ante o já retraído preço de 2013, fazendo com que sua cotação voltasse ao patamar praticado em 2009. Da mesma forma, os preços da soja em grãos e farelo de soja também sofreram quedas significativas ao longo de 2014. Enquanto isso, a cotação do açúcar permaneceu estável, mas em patamar deprimido historicamente, com os mercados bem abastecidos com os maiores volumes exportados por outros importantes produtores, como a Índia.

Os produtores brasileiros, além de terem suas receitas comprimidas pelas quedas dos preços internacionais (parcialmente compensada pela desvalorização do real), tiveram a produtividade de suas lavouras afetadas pela forte estiagem que caracterizou o ano de 2014.

A seca intensa, que em São Paulo foi a pior em oitenta anos e levou à paralisação da hidrovia Tietê-Paraná (importante via de escoamento da safra direcionada ao nosso porto), reduziu a produtividade das safras de açúcar, milho e soja, fazendo com que a produção destes produtos ficasse abaixo das estimativas divulgadas no início do ano. No caso do setor sucroalcooleiro, os baixos preços internacionais do açúcar motivaram os produtores a privilegiarem a produção de etanol para abastecimento do mercado interno. Além disso, o porto sofreu dois grandes incêndios em 2014, que afetaram os embarques do produto.

Devido à histórica relação do Porto de Santos com o agronegócio brasileiro, foi inevitável que este cenário adverso para o setor tivesse reflexo sobre a movimentação de cargas.

Apesar desse cenário, o Complexo Portuário Santista obteve quatro recordes mensais no ano passado, que incluem, além de dezembro, os meses de fevereiro (7,7 milhões t), março (10,4 milhões t) e junho (9,8 milhões t).

O fluxo de navios, mantendo a tendência do porto de receber embarcações maiores e em menor quantidade, graças aos efeitos do aprofundamento do canal de navegação, apresentou queda de 1,1%, totalizando 5.193 embarcações.

Balança Comercial

O Porto de Santos foi responsável pela movimentação de 25,3% da corrente de comércio brasileira (US$ 229,1 bilhões), atingindo US$ 116,1 bilhões. As importações totalizaram US$ 58,4 bilhões e as exportações US$ 57,7 bilhões.

Os principais parceiros comerciais foram, na importação, a China, com 22,2%, seguida pelos Estados Unidos (17,1%) e Alemanha (10,4%) e na exportação novamente a China (14,7%), os Estados Unidos (13,3%) e a Holanda (6,9%). Entre as cargas mais importadas aparecem outros inseticidas (1,5%), outras caixas de marchas (1,27%) e outras partes e acessórios de carroçarias para veículos automóveis (1,12%). Na exportação aparecem a soja (1,2%), outros açúcares de cana (9,0%) e café não torrado, não descafeinado, em grão (8,6%).


Fonte: Udop, com informações de Assessoria de Comunicação Social do Porto de Santos