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28/08/2014

Usinas de SP encerram safra já em agosto

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SXC
A baixa produtividade nas lavouras de cana-de-açúcar, causada principalmente pela falta de chuvas, fará com que duas usinas no interior do Estado terminem a safra ainda nesta semana.

Normalmente encerrada a partir da segunda quinzena de outubro --a maioria das usinas vai até dezembro--, a safra nas duas unidades nas regiões de Piracicaba e São João da Boa Vista acabaram antes porque elas foram afetadas pela longa estiagem, que prejudicou o desempenho nas lavouras.

A informação foi dada nesta terça (26) pela Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), entidade que representa o setor --os nomes das usinas não foram revelados.

Por causa do baixo desenvolvimento das plantações, as previsões estão sendo revistas. Com isso, a tendência é que os preços do etanol nos postos sejam mantidos nas próximas semanas, até que sofram reajuste próximo à entressafra.

Um relatório da Unica aponta que a estimativa de moagem de cana para a atual safra na região centro-sul é de 545,89 milhões de toneladas, uma queda de 5,88% em relação à estimativa inicial, de 580 milhões de toneladas. A safra anterior atingiu 597,06 milhões de toneladas.

O diretor-técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, disse que a quebra da safra ocorre num péssimo momento para o setor, que vê aumento expressivo nos custos de produção ao mesmo tempo em que os valores do etanol e do açúcar não reagem.

Essa não reação dos preços, de acordo com ele, está relacionada à ausência de políticas públicas para a atividade sucroalcooleira.

Padua disse nesta terça em Sertãozinho, onde está sendo realizada a Fenasucro (feira do setor), que as usinas deixam de lucrar por safra R$ 10 bilhões por causa da não cobrança da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), que foi zerada para a gasolina.

Seca
Segundo a Unica, a quebra da safra em São Paulo deve atingir 11,7%. A estimativa da entidade é que sejam processadas 324,43 milhões de toneladas de cana nas usinas paulistas, ante as 367,45 milhões da safra 2013/14. "É a grande quebra. Choveu muito pouco", disse Pádua.

A Unica informou que a revisão para baixo das estimativas ocorreu porque as condições climáticas observadas desde o início da safra foram piores do que as usadas na primeira projeção, de abril.

Para Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro, a queda "mostra a gravidade da situação", porque significa menos produto, menor lucro e mais dívidas.


Fonte: Biocana, Udop, com informações da Folha de S.Paulo (escrita por João Alberto Pedrini e Venceslau Borlina Filho)