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31/07/2015

Vale desenvolve, em MG, projeto de readequação da indústria da mineração

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Imagem retirada de http://www.blogdobacana.com.br/page/4
A Vale está desenvolvendo em Minas Gerais o que considera ?um dos maiores projetos de readequação da indústria da mineração?: o Itabiritos. Com investimentos de U$5,5 bilhões na construção e adaptação de usinas de beneficiamento, vai ser possível reaproveitar o minério de ferro de baixo teor que foi guardado em pilhas formadas ao longo das últimas quatro décadas. O investimento nas tecnologias de processamento irá aumentar o atual volume de produção e estender a vida útil de três minas: Vargem Grande, em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, Conceição e Cauê, ambas em Itabira. Cauê foi a primeira operação de minério de ferro da Vale, inaugurada em 1942. As obras devem estar totalmente concluídas no início do próximo ano.

O projeto vai adicionar 65 milhões de toneladas por ano à produção nominal da Vale. Deste total, 26 milhões representam aumento real de capacidade.

- O Projeto Itabiritos é muito importante para a Vale no atual cenário de mercado, em que a qualidade do produto e o aumento da produtividade são fundamentais - explica o diretor de Projetos de Ferrosos Sudeste, Carlos Miana.

As plantas de Conceição Itabiritos I, em funcionamento desde 2013, e Vargem Grande Itabiritos, cujo start up ocorreu no segundo semestre de 2014 já contribuíram para que a Vale conseguisse operar pela primeira vez em sua história, no primeiro trimestre deste ano, com um custo de produção do minério de ferro entregue no porto abaixo de US$ 20 por tonelada - caiu de US$ 23,2, no 4T14, para US$ 19,8, no 1T15. A planta de Conceição Itabiritos II iniciou sua operação agora em junho e Cauê Itabiritos terá seu start up até o final deste ano.

O projeto consiste em beneficiar minérios pobres com até 40% de teor de ferro e alta presença de contaminantes (sílica e fósforo), os chamados itabiritos compactos, oriundos da área atual de lavra e de pilhas de estoque. Nestas pilhas, estão guardados ainda minérios ultrafinos de alto teor, com tamanho menor que um milímetro. No processo, o minério pobre é fragmentado em partículas superfinas e misturado aos ultrafinos da pilha. Depois, ambos são concentrados, gerando pellet feed (insumo para pelotas) e, em alguns casos, sinter feed, com teor de até 69% de ferro e baixa presença de sílica, tornando-os atrativos ao mercado mundial. O projeto reduz o impacto ambiental, pois elimina a necessidade de novas áreas para constituição de novas pilhas.

- Ao lado do S11D e de projetos de expansão, como a Planta 2 e a mina N4WS, em Carajás, o beneficiamento de itabiritos compactos em Minas Gerais vai ajudar a Vale a aumentar em 35% a sua produção de minério de ferro nos próximos quatro anos, passando de 340 milhões de toneladas, previstos para este ano, para 459 milhões, em 2019 - afirma o diretor de Operações de Ferrosos Sul, Centro-oeste e Manganês, José Flávio.

Ao contrário do que se pode imaginar, a extração de minério de ferro de uma mina não ocorre apenas uma vez. O projeto da Vale de utilizar itabiritos compactos, com teores abaixo de 40%, é considerado por especialistas como a terceira onda do setor. A primeira ocorreu entre as décadas de 1940 e 1960, quando a siderurgia utilizava basicamente o chamado minério granulado (lump), com tamanhos entre seis e 50 milímetros, de alto teor, retirado de rochas conhecidas como hematita. Naquela época, a tecnologia dos altos fornos siderúrgicos não permitia o uso de minérios de menor granulometria, pois isto afetava a permeabilidade do equipamento, provocando a queda da produtividade.

O resultado foi o grande acúmulo de finos nas minas, com tamanho menor que seis milímetros. O desenvolvimento da tecnologia de aglomeração resolveu o problema dos finos, que, após beneficiamento, se transformaram em pellet feed e sinter feed. Em 1956, a Vale decidiu entrar no mercado de pelotas, com a construção de sua primeira usina de pelotização, integrando-a à estrutura mina-ferrovia-porto. Em pouco tempo, as pelotas passaram a ocupar um lugar de destaque nos resultados da empresa, tão importante quanto o minério de ferro.

Poucos anos depois, porém, a Vale viu sua produção de minério de alto teor se reduzir ao mesmo tempo em que a competição internacional se acirrava, com a entrada da Austrália no mercado. Surgia, então, a segunda onda do setor, quando a Vale passou a usar o minério de ferro de rochas de itabirito friável, com teores entre 40% e 60%. Para desenvolver a tecnologia de beneficiamento dos minérios de menores teores, a empresa criou, em junho de 1965, o Centro de Desenvolvimento Mineral (CDM), que funciona até hoje em Santa Luzia, município da região metropolitana de Belo Horizonte.


Fonte: Monitor Digital